Wednesday, September 28, 2005

Gosto se discute, sim. Mas cada um tem o seu.

Por causa de um debate ferrenho com um cliente que não sabe falar sem emitir perdigotos, crio coragem pra sair do armário: Victor Hugo não merece a fama de maior escritor de língua francesa que já existiu.

Em tempo: a poesia eu acho bonita, apesar de não chegar aos pés de um Chateaubriand com azia ou de um Rimbaud com enxaqueca pós-absinto. Como romancista, ele é um tanto quanto moralista e chato.

Depois de ler Os Miseráveis, pensei que o homem quis fazer um ensaio filosófico à la Voltaire em Candide ou L'Ingénu: uma história ilustrando preceitos filosóficos. Muito justo, mas Voltaire mostrou que é possível fazer isso numa história de umas poucas dezenas de páginas, e ele escolheu o humor. ... Já Hugo tentou fazer a filosofia humana de uma sentada, o que torna Os Miseráveis, se você for lê-lo como tratado filosófico, dificílimo de assimilar. Se, como eu, quiser ler pelo prazer de um bom livro, prepare-se para centenas de páginas de dissertações sobre o Estado, a Criança, a Polícia, que, desculpem os fãs, não são nada atemporais e são escritas naquele estilo clássico que tem o ritmo de um cágado maconheiro.

Já as partes com Jean Valjean, Cosette, Marius, Gavroche, Javert e toda a patota valem a pena pela beleza da história e pela dinâmica da escrita. Mas haja paciência para aguentar os interlúdios em que o senador acorda e enxota o escritor! Pra resumir: um livro esquizofrênico. Eu li (2 vezes!), mas apliquei ao pé da letra um dos mandamentos do leitor enunciados por Daniel Pennac: todo leitor tem o direito de pular páginas!

O maior escritor de língua francesa... Victor Hugo é venerado como um deus aqui na França. Qualquer vilarejo do interior da Auvergne tem sua rue/place Victor Hugo. Mas admiro muito mais a obra literária de Balzac, de Zola, de Maupassant e do Alexandre Dumas, que até hoje considero um injustiçado da literatura.

E tenho dito.

Wednesday, September 21, 2005

Da série "Porto" - 1


Eu e minhas metáforas e comparações... mas só me vem isso: amor à primeira vista. Também, o Dr. Celinho resolveu começar pelo mais espetacular...
A primeira visão da Ribeira à noite, com a lua refletida no Douro, me deixou sem palavras. De olhos e ouvidos arregalados, querendo ver tudo ao mesmo tempo, não perder nada: o reflexo da lua no rio, as luzes do outro lado, as crianças correndo pelo calçadão, a ponte de ferro, majestosa e cinzenta, contrastando com a alegria das casinhas iluminadas e com a suavidade do cetim preto do rio...
E de dia, o encanto foi ainda maior. Quem quer que seja que controla o painel meteorológico do mundo teve pena de mim e me gratificou com cinco dias de sol e temperatura amena. As casinhas ficaram coloridas, o céu azul-azulejo, o lençol do Douro ficou azul-escuro, as crianças e senhoras falavam ainda mais alto, e a ponte ficou ainda mais severa e majestosa. Parecia uma festa.

Tuesday, September 20, 2005

Na verdade, não era isso que eu queria postar hoje

Lendo um antigo post da magavilhosa Cynthia, me dei conta de uma coisa: acho que meu ideal de carreira é ser tradutora da Mad.

Thursday, September 08, 2005

Pequenos Prazeres

Ouvir Cazuza no trabalho, volume máximo nos headphones, mantendo a poker face na Bete Balanço, é o maior tesão. Recomendo.

Tuesday, September 06, 2005

Tão seu

Tão Seu - Skank

Sinto sua falta
Não Posso esperar tanto tempo assim
O nosso amor é novo
É o velho amor ainda e sempre
Não diga que não vem me ver
De noite eu quero descansar
Ir ao cinema com você
Um filme a toa no Pathé
Que culpa a gente tem de ser feliz
Que culpa a gente tem meu bem
O mundo bem diante do nariz
Feliz agora e não além
Me sinto só
Me sinto só
Me sinto tão seu
Me sinto tão
Me sinto só e sou teu

Eu faço tanta coisa
Pensando no momento de te ver
A minha casa sem você é triste
A espera arde sem me aquecer
Não diga que você não volta
Eu não vou conseguir dormir
A noite eu quero descansar
Sair a toa por aí
Me sinto só
Me sinto só
Me sinto tão seu
Me sinto tão
Me sinto só e sou teu

Eu sinto sua falta
Não posso esperar tanto tempo assim
O nosso amor é novo
É o velho amor ainda e sempre
Que culpa a gente tem de ser feliz
Eu digo eles ou nos dois
O mundo bem diante do nariz
Feliz agora e não depois
Me sinto só
Me sinto só
Me sinto tão seu
Me sinto tão
Me sinto só e sou teu

Monday, September 05, 2005

As fotos de New Orleans me fazem lembrar do Haiti da guerra civil. Assustador ver tanta destruição, desespero e desorganização na soi-disant maior potência do mundo. Dubya, mais uma vez, parece que acordou tarde e so ficou sabendo da catastrofe depois do almoço... o que Dubya deve pensar da Louisiana, estado pobre, de maioria negra, e cheio de descendentes de franceses? Foi mal, mas isso é de revoltar qualquer um.

Friday, September 02, 2005

Da série "Ser tradutor é bom porque... parte I"

- poucas outras profissões trazem a possibilidade de escrever "exame Doppler do pênis". Só eu acho essa frase surreal?
- você pode brilhar em sociedade. Quem não quer ouvir mil detalhes sobre disfunções eréteis, sobre a manutenção da turbina a combustível líquido e gasoso, ou ainda sobre a interpretação de resultados de uma mamografia digital? Bom, talvez só as disfunções eréteis.