Friday, May 26, 2006

Hasta la vista, baby

Segundo dia de volta ao trabalho, e já tenho ímpetos quase irresistíveis de vestir um jaquetão de couro, pular numa moto e pegar um certo tradutor, para picotá-lo em mil pedacinhos que serão espalhados pelos quatro cantos do país para que eles não possam nunca mais se juntar e voltar a cometer as atrocidades que eu tenho que corrigir.

Monday, May 22, 2006

...Is in my ears, and in my eyes

Inspirado daqui.
A minha Penny Lane só era minha durante 2 meses por ano, durante as férias naquela quadra da Asa Norte, dos meus avós paternos, lar das férias e único porto seguro da minha vida de navio.
No carro, vindo do aeroporto, eu já ficava doida com a tesourinha de acesso pra quem vinha do Eixão, onde tinha a "descidinha" (a pista tinha um desnível, com o carro rápido dava um frio na barriga nunca igualado por nenhuma Space Mountain coió), a coruja que estacionava num toco de árvore ao lado dela e que meu avô alimentava, e a placa "é proibido buzinar" que ficava bem na entrada da quadra. Essa placa era o umbral de tudo de bom no mundo: a banca onde comprava revistinha da Mônica, Alegria, bonecas de recortar e as palavras cruzadas da minha avó, e (quase) sempre sobrava pra um saquinho de doce de leite; levar cascos de refri naquelas finadas cestas de plástico que cortavam os dedos; ir buscar pão e leite na padaria e aproveitar pra comprar picolé de uva.
O mais importante disso tudo é que eu não me lembro de um minuto sozinha, durante esse tempo todo. Primos passavam o dia inteiro assistindo Xou da Xuxa ou brincando de gato mia, a pirralhada toda assistindo Moonwalker e acelerando todas as cenas do filme pra ver as partes de dança; as expedições caça-fantasmas à garagem; nunca pisar na frente da porta da lixeira que dava azar; brincar de "cantinho" no elevador e SEMPRE perder no War, naquelas partidas de horas nos corredores de penitenciária do bloco. Acho que nunca ganhei uma partida de War na vida.
Os cadernos de perguntas, as caixas de bombom Garoto e Thaty no meu aniversário, no salão de festas do prédio. Bete, amarelinha, paredão, salada mista, queimada, pique-altinha e elástico embaixo do bloco com zilhões de vizinhos e os primos. Cheiro de batom de maçã verde, de Fandangos e de sabonete Phebo. Dormir na cama da minha avó, e depois da oração, pedir pela milésima vez a história da princesa que virou passarinho. Uma caixinha de perfume cheia de moedas de todos os planos econômicos do Brasil. Jogar paciência e pif-paf com minha avó, passar a tarde com ela fazendo palavras cruzadas... Ficar de castigo sem descer, punição mil vezes pior do que uma surra de Havaiana.
Meu primeiro beijo, meu primeiro amor, foram lá. Também foi lá que dirigi um carro pela primeira vez, morta de medo. E lá aprendi a brincar, a relevar, a levar na esportiva, a chorar, a dar o troco, a lidar com meninos ; foi lá que aprendi que a vida era muito melhor acompanhada. Posso até ter aprendido a pensar na escola, mas aprendi a viver na quadra dos meus avós.

Thursday, May 18, 2006

Adoro cozinhar, e moro com uma flatmate de gostos muito diferentes dos meus para comer sempre comigo o que eu preparo. Daí acabo com a geladeira abarrotada de restos de coisas que acabam se perdendo, e pouco dinheiro na conta. Então resolvi dar cabo de tudo o que tinha na geladeira e diminuir bastante a despensa antes de fazer compras de novo. Reciclagem de restos é o que há.

Pudim de pão de fim de mês

Pão duro : ½ baguette. Você esqueceu o saquinho de papel com o pão em cima da geladeira durante 2 semanas ? perfeito ! Quanto mais duro, melhor (ui!).
Leite : 1 litro. Leite todo mundo tem em casa… bem, pelo menos eu sempre tenho.
Ovos : 2 .
Açúcar : foi no olhômetro, meia xicara mais ou menos... Melhor ir provando.
Coco ralado : uns 50g, que era o que tinha sobrado de um bolo feito mais de mês atrás. Pode ser resto de queijo ralado, uva passa, pedacinhos de ameixa preta, lasquinhas de chocolate… ou nada mesmo.

Um pedacinho de manteiga para untar

Corte o pão em pedacinhos, coloque numa travessa rasa, cubra com o leite. Mexa e amasse com um garfo até o pão ficar bem molinho. Junte o açúcar e misture bem. Bata os dois ovos, acrescente à papa de pão e leite, e por último o coco ralado. Unte uma fôrma refratária com a manteiga, despeje tudo lá dentro e leve ao forno quente, uns 30 minutos ou até ficar dourado por cima. Esse pudim fica muito melhor depois de frio.

Eu dei a versão fácil, se você for menos molenga do que eu, vai fazer uma calda de caramelo no fundo da fôrma que fica ainda melhor. Gente luxuosa, rica e poderosa tira a casca do pão, eu prefiro com a casca.

E agora, a melhor parte :
Custo total da receita : 1,30€
E até a amiga natureba gostou!

Thursday, May 11, 2006

Mais um final de semana perfeito dele em Paris :

  • Jelly Bellies (só pensávamos na Cynthia), achadas no Bon Marché depois de rodar por todas as seções, devoradas na rua mesmo, a caminho do sorvete do Alberto na Rue Mouffetard. Ou seja, major sugar high que nos levou a um programa completamente inesperado : já que estávamos passeando pelo Jardin des Plantes, resolvemos visitar a ménagerie deles… eu nunca gostei de zoológico, mas ali confesso que o passeio foi muito bom, principalmente os pássaros e os répteis, adoro cobras, lagartões e jacarés !
  • Capela de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Nunca tinha ido lá… valeu a pena, a capela está reformada e é bonita e luminosa. Na minha opinião, um lugar que tem mais a ver com religião e oração do que aquelas catedrais sombrias, imensas e cheias de ouro, como a Sé do Porto, a Notre-Dame de Paris e até a Madeleine… Me emocionou, muita gente rezando, gente do mundo inteiro mesmo, sem missa, padre ou aquelas barulheiras espalhafatosas que existem em todas as religiões e que sempre me incomodam… alinhais, saquem o endereço do site da capela: http://www.chapellenotredamedelamedaillemiraculeuse.com . Simplicidade é tudo mesmo.
  • Museu da Idade Média de graça, sol de novo apesar do terrorismo da Météo France que ameaçou com chuva e trovoadas todos os dias, e só foi chover no último.
  • Em mais de 7 anos de Paris, os fiscais do metrô e dos ônibus controlaram meu passe umas 10 vezes, se muito. Namorido passa 5 dias aqui comigo, 4 controles. Murphy e Marcelo, uma historia de amor...
  • Essa cidade virou um jardim.

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Segunda gargalhada frenética do dia (a primeira foi lendo a dé-vina Cyn, sempre ela) : alguém chegou nesse blog procurando « gar*tas de progr*ma em Gaia – Portugal ». Olha, não estou com essa bola toda, senão já estava aí uma futura opção de carreira… depois podia até escrever um livro, como a Surf*stinha !

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Sessão desabafo : 5 meses atras entrei com um pedido de autorização para trabalhar durante 1 ano … me perguntem se a resposta já saiu. Aliás, melhor nem perguntar.
E eu dei sorte porque a empresa que quer me contratar aceitou esperar : mais de um ano e meio trabalhando lá como estagiária, já conheço o babado e eles parecem acreditar em mim. Além do mais, é uma multinacional imensa que tem estrutura para segurar as pontas enquanto espera.

Agora peguem uma empresa normal, de médio ou pequeno porte, que tem uma equipe pequena ou equipe nenhuma e que precisa do project leader pra já… Vocês conhecem muitas organizações que saibam que vão precisar de alguém daqui a 5 meses ? ou que pensem assim : « tudo bem, nós estamos aqui aperreados de trabalho mas vamos esperar por você, em vez de contratar um francês/europeu que pode até não ser tão qualificado quanto você, mas que pode começar já » ? E não, não pode pedir uma autorização para trabalhar em qualquer coisa, tem que ter primeiro o contrato para depois pedir a autorização, que só vai valer para esse contrato. Espero que esse tipo de absurdo, que é a regra e não a exceção, as leis de imigração cada vez mais restritivas, e outras coisas que fazem com que seja cada vez mais difícil para um imigrante se arranjar legalmente por aqui mostre para algumas pessoas que conheço (principalmente franceses, oh ironia) que morar aqui está longe de ser o mar de rosas que elas imaginam. Claro que é bom, senão não estava aqui. Mas não é fácil.

Pronto, passou...

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Update: Gente, estava vendo o Jornal Nacional, é impressão minha ou o time do Japão tem uns rapazes jeitosinhos? juntando isso com a minha admiração hereditaria pelo Zico e à paixão por sushi, tenho que tomar cuidado porque senão na Copa vocês me pegam gritando "Ni-hon! Dji-co!", ou coisa parecida.